Por que você precisa conhecer Karina Buhr?

Carne de pistola suja
Fugindo do aparelho inimigo
Abre tantas casas e caminhos
Sujos de artimanhas guerreiras
Planta que pisaste no caminho
Fugas que até foram redimidas
Idas por paredes já vazias
Frias de temores estridentes
Dentes encostados na figura
Dura de terrores delinquentes

O que me faz gostar de um artista é sua obra, mas o que me faz admirá-lo são suas atitudes. Unindo obra e atitude, uma pessoa que precisa ser destacada na atualidade brasileira é a artista Karina Buhr. Mas além de ser compositora, cantora, atriz, ilustradora e colunista, o que a diferencia da maioria é seu envolvimento político e social, utilizando sua voz para não ser calada contra qualquer tipo de rotulamento ou repressão.

Ela não aceita ser chamada de regionalista ou alternativa, nem tampouco de cantora, talvez porque a pessoa e a artista Karina seja uma colcha de retalhos. Ela nasceu em Salvador, cresceu em Recife e foi radicada em São Paulo – ao mesmo que teve participações em diversos trabalhos artísticos como os maracatus Piaba de Ouro e Estrela Brilhante, a banda Comadre Fulozinha, o Teatro Oficina entre diversas outras relações e participações com obras de outros artistas. Ela faz show, mas também faz exposições de arte. Ela interpreta, mas também compõe. Ela desenha, mas também escreve (e bota a boca no trombone). Ela sobe no palco, mas também sai às ruas para protestar.

6a2e6e51c7f266bb61efc4e0a3887485

Karina Buhr

Deixando de lado o que ela já fez, vamos voltar um pouco os olhos para o que ela anda fazendo, aliás, causando polêmica. Karina Buhr é ícone feminista e não esconde isso, muito pelo contrário, já se manifestou nua contra o machismo no Dia Internacional da Mulher e ainda disse “dia internacional é a cabeça do meu pau”. Também promoveu o Manifesto Sexo Ágil, que debate argumentos contrários à comemoração ao Dia Internacional da Mulher. Pra falar de mulher, ela não tem meias palavras, diz que deseja viver em uma época em que não se precise de “universos femininos” ou “dia da mulher”, em que não se precise diferenciar mulher e homem e que o feio e inaceitável seria ser machista. Ela lamenta saber que este dia está longe de chegar, mas isso não a faz perder as forças na hora de gritar.

Ilustração de Karina Buhr

Ilustração de Karina Buhr

Também se envolveu fortemente com o movimento de ocupação dos armazéns do Cais José Estelita, em Recife, que estavam para ser demolidos por construtoras locais. Movimentações nas redes sociais iniciaram o impedimento da demolição e vários artistas e militantes ocuparam o local, promovendo shows e exposições. Karina Buhr defende ocupações não apenas para moradia, mas também por preservação ambiental e promoção de lazer e cultura.

estelita1

Ocupe Estelita

E nem podemos esquecer de sua participação nas lutas LGBT, inclusive levantando a bandeira nas eleições de 2014, ao lado de Laerte, na mobilização “Somos todos LGBT”, com o objetivo de aumentar o número de votos em candidatos que defendessem a causa LGBT no Congresso Nacional e nas Assembleias Legislativas.

Não costumo de me dizer fã de tal artista, porque a maioria deles está sempre muito concentrada em produzir sua arte para entretenimento, o que não é de forma alguma errado. Mas para mim o que torna completo um artista é quando sua obra está permeada de reflexões sobre a sociedade, sobre o que está errado, sobre o que precisa mudar. E bom mesmo é aquele artista que vai além de promover as reflexões e realmente se envolve nas lutas, nas mudanças, no dizer não! Então hoje me digo fã de Karina Buhr e desejo que haja cada vez mais artistas como ela, empenhados em lutas comuns – no sentido de comunidade, de comunhão, de compartilhamento mútuo. A sociedade brasileira precisa e muito de artistas assim.

 

Saiba mais sobre a autora: Giovanna, ou Picles, é fotógrafa e produtora cultural, formada em Letras e pós graduada em Cinema e Fotografia. Acredita que a mudança só se efetiva através de (…) 

Seja o primeiro a comentar