Nossos pelos: amor próprio e auto identificação

Viemos da sua costela. Estamos ao seu dispor. Aceitamos pagamento a vista ou a prazo, fique à vontade. Foi um prazer. Eu que agradeço. Somos comportadas pra não sermos vadias. Somos plásticas para não sermos dragões. Somos bonecas para não sermos deusas pagãs. Somos depiladas para agradar ao público, mas nos cobrimos para não chocar o público.

O público.

O púbico.

Nossos pelos cresceram de novo. Que desespero! Que nojo! Que falta de higiene! Que coisa feia! Vamos cortá-los, vamos tirá-los, vamos apará-los, vamos exterminá-los, vamos puni-los. Punir o púbico e proibir o público. Vamos ser carecas, vamos ser lisas, vamos ser pudicas, vamos ser donzelas, vamos ser a vagina de uma criança. E escondê-la e abafá-la e abominá-la, porque que nojo, que coisa feia! Essa palavra contaminada de feminismo.

Ah, me poupe!

Vagina. V-A-G-I-N-A.

Toda mulher tem e alguns homens também. Alguns deles se sentem tão donos dela que estipulam como devem ser. Ou a revista, ou a moral ou a sua mãe. De algum lugar esse mandamento vem. Vamos falar do que é sagrado: a vagina e os pelos púbicos. Tão sagrado que você precisa amá-la porque ela faz parte de você. Ame e liberte-se. A vagina é sua, deixe-a como bem quiser.

(D)entre as pernas: ensaios sobre amor próprio e auto identificação. Conceito e curadoria: Frente Feminista da Unicamp. Fotografia: Giovanna Romaro.

(D)entre as pernas: ensaios sobre amor próprio e auto identificação. Conceito e curadoria: Frente Feminista da Unicamp. Fotografia: Giovanna Romaro.

Saiba mais sobre a autora: Giovanna, ou Picles, é fotógrafa e produtora cultural, formada em Letras e pós graduada em Cinema e Fotografia. Acredita que a mudança só se efetiva através de (…) 

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