Into the wild

Você é indomável, selvagem e desimpedido. Você se move como um animal, com tanta ferocidade, pra defender sua ideologia. Ela é de uma pureza simples e livre de convenções, acho que é por isso que foi tão fácil gostar de você. É fácil entender que é preciso ter essa paixão pelo que se faz e pelo que se luta – uma convicção que contagia a quem está perto. Eu tenho vontade de acreditar mais nisso só de te ouvir falar. E você fala de um modo tão encorajador – não, não é isso – é um modo encorajado por si mesmo, você já tem certeza de que as coisas são ou não são de um jeito, torna-se indiscutível. Não existem argumentos. Eu perdi meus argumentos enquanto admirava os seus.
Eu consigo te ver correndo pelo asfalto à noite. As estrelas estão frias, mas não apagadas. É como se ninguém pudesse te segurar – e de fato eu não posso. Você não consegue se segurar dentro de você e é por isso que você corre. É o que faz ser tão único na madrugada, porque a sua solidão é um pouco da minha. É essa coisa que não pode ficar presa, não cabe, por isso nós corremos.
Quando você fala sobre o mundo, a sociedade e as relações, como tudo isso deveria realmente ser, seus olhos brilham tanto que eu fico abduzida por eles. Minha atenção aprisionada numa luz hiperespacial. Eu quero ficar mergulhada nas suas pupilas e nadar dentro delas. Eu seguro a minha respiração e posso flutuar na superfície escura, eu fechos os meus olhos e consigo até ver os seus sonhos.
Sua essência é algo que me inebria de uma forma, é impossível não querer me soltar nesse mundo impetuoso e natural que se estende aí em frente. Selvagem. No nosso estado bruto de sermos humanos, porque não tem nenhuma necessidade de domarmos a nós mesmos. Não precisamos conter o que somos. Ser é algo irrepreensível pra alguém como eu e você.

From: Into the wild.

> Saiba mais sobre a autora: Giovanna, ou Picles, é fotógrafa e produtora cultural, formada em Letras e pós graduada em Cinema e Fotografia. Acredita que a mudança só se efetiva através de (…) >

 

 

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