Amores na era digital

Quero teclar, clicar e deslizar.

Mas chega de teclados e teclas e leitores e telas, chega da liquidez moderna nas redes e nos aplicativos e radiosferas. Quero pôr meus dedos e carimbar e engordurar e lambuzar: sua pele e sua boca e sua natureza que vai morrendo em cada milímetro de célula.

vincos e encaixe e soma e transa e tato e tête-a-tête

Eu quero marcar minha digital na sua digital, fazer encontro dos vincos e encaixe e soma e transa e tato e tête-a-tête. Só se for assim: digital – digital! – sem essa parafernália toda de poesia virtual, que poesia pode até ter e muita, mas tem que rimar minha língua com a sua e meu corpo com o seu e a gente esquecer de vírgula e ponto e coisa e tal e esquecer do tempo e da inclinação verbal, porque o que interessa mesmo é a nossa inspiração natural de beijar com os olhos e ver com as mãos e pegar com a boca.

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Se for me escrever, escreva poesia aqui no meu corpo que eu ponho métrica no seu beijo e rima no orgasmo. Se for assim, eu deixo.

 

Saiba mais sobre a autora: Giovanna, ou Picles, é fotógrafa e produtora cultural, formada em Letras e pós graduada em Cinema e Fotografia. Acredita que a mudança só se efetiva através de (…) 

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