Nuance

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Mantive-me calma. A plenitude me parece menos divina, embora essencialmente boa, visto a minha ansiedade e o tom agudo do cotidiano. Não me convém a espera, entretanto, mantive-me calma, pois por outro lado seria desespero, ignorância de quem acaba por se afogar. A calma mostrou-me a bem aventurância do café pela manhã e do arrumar a casa no fim de semana. Por meio de metáfora, compreendi os travessões e os parênteses, entre os efeitos da calma. Eu gritei dia desses, abandonei o café, deixei pra trás a casa. É que a vida precisa de cadência. Eu tombo, eu sei, te derrubo também. Me permito dizer que não sou ninguém, um “dane-se” a existência concreta. Para quê eu vou querer a concretude quando tudo mais dói na humanidade do que de fato alguém te matando — e podemos, continuamos afirmando nossa morte, tantas e tantas vezes na vida. Catei a calma, como quem cata as roupas em volta da cama.

A vida te fode.

Saiba mais sobre a autora: Mayara tem formação na área de Educação pela UERJ. No curso de Pedagogia aprendeu a ler o mundo por linhas tortas e não fosse por isso, talvez não teria escolhido cursar Jornalismo, sua segunda graduação. Frágil ao que é (…)

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