Noves fora

Prova dos nove_graodefato.com.br


S
empre me dei muito bem com a dúvida.  Enquanto ostentam a satisfação de ter certeza, eu tô legal cheia de dúvidas. Quer dizer…mais ou menos, mas elas me levam a pensamentos que, não fossem eles, jamais teria sacado “aquela coisa”, aquilo que, depois de muito devaneio, acabou fazendo sentido.

Eu talvez, só talvez, não saiba o que quero fazer da vida. Fala-se tanto sobre “dar certo”, estudar e não parar nunca, fazer o MBA, o concurso público, buscar sucesso, justificando assim esse nosso vasto acesso à informação, privilégio da minha geração. Tudo lorota.

Eu não tenho certeza se quero ser profunda ou superficial, se vejo necessidade de escolher, se acho obrigatório me decidir, se fico melhor sendo eu ou tentando ser mais eu, menos eu, é tudo tão relativo.

Até no momento em que, com um pouco de certeza misturada com “será?”, escolhi fazer a segunda graduação me matriculando no curso de jornalismo, a dúvida estava lá me guiando em cada coisa que “aprendia” sobre a pauta, o texto e sobretudo a tal da imparcialidade do jornalista. E eu fiz terreno fértil com o que eu tinha de adubo: todas as minhas “questões” guiam o que escrevo.

É claro que eu tenho minhas convicções. Como quando me mirei toda para um único centro e degustei da felicidade de estar em paz com o universo, acordando ao lado de apenas este e para sempre o mesmo. Só não te conto o quanto tudo isso não elimina em nada as loucuras da alma feminina, essencialmente incerta.

As vezes dói, mas quem não dói sendo quem se é? Me dói escutar aquela música que eu adoro. Eu sofro de um jeito bom, quando estou no elevador, no restaurante e toca “Solidão que nada” na rádio, me pegando de surpresa. E me dói em tantos aspectos do meu jeito. Afinal, “cada um sabe a dor e a delícia de ser o que é”.

Difícil é se deparar volta e meia com algumas duras certezas – pois estas também costumam doer. Como aquele trabalho de carteira assinada, de contrato bem redigido e a princípio tão bom pra ser verdade. Até encarar que na realidade, não exite espaço para romantismo, no que diz respeito as relações e ao seu valor profissional.

No mundo corporativo os valores são incompreensíveis pra mim, que sempre tive infinitas dúvidas nas nostálgicas aulas de matemática.

Saiba mais sobre a autora: Mayara tem formação na área de Educação pela UERJ. No curso de Pedagogia aprendeu a ler o mundo por linhas tortas e não fosse por isso, talvez não teria escolhido cursar Jornalismo, sua segunda graduação. Frágil ao que é (…)

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