Hoje eu te amo

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Aquele primeiro trimestre

Sentindo que tudo não espera e que se mostra desnudo o agora-amanhã. Não vi tempo para problemáticas. Por alguns meses não me lamentei sobre as questões profundas do “ser ou não ser” nem nenhuma daquelas contestações, que começaram a se tornar mais graves da adolescência em diante. Eu era finalmente uma linha no universo: esticada, firme. A concretude dos fatos me ocupava toda, minhas irregularidades eram espaços preenchidos com conteúdo consistente.

A virada do segundo trimestre

Num amanhã desses, voltaram as neblinas, como antes, em metáforas e era o início do inverno. Senti, como boa eu que sou, um medo enorme pela mudança. Nosso castelo de certezas é mesmo uma brincadeira. Desabei. Eu contradizia o estado anterior.

Então entendi que não há anestesia para o meu estado. Os músculos e ligamentos que sustentam a barriga se expandem um centímetro a cada semana, para abrigar o feto que cresce dentro de mim e que se alimenta do que eu me alimento e me dá uma fome primária, de quem precisa comer para nutrir vida. Eu me olhava no espelho e me via filha, sabendo apenas que o meu destino era sentir, só não imaginava a grandeza, agora que estou diante do… me transformando…

Sendo

Não posso falar o que… Desculpe mas não posso trair o acontecimento com nomes e organizações gramaticais e te entregar assim. Hoje eu sou o silêncio da vida. E dum amor que nasceu quatro meses, extrapola o sentido temporal e racional, tudo ficou ao mesmo tempo atual e para sempre, como um ciclo: hoje eu te amo.

Saiba mais sobre a autora: Mayara tem formação na área de Educação pela UERJ. No curso de Pedagogia aprendeu a ler o mundo por linhas tortas e não fosse por isso, talvez não teria escolhido cursar Jornalismo, sua segunda graduação. Frágil ao que é (…)

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