Cavalo

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Foi através de uma carta auto-reflexiva que Rodrigo Amarante apresentou seu primeiro disco solo, Cavalo. O que ao meu ver o torna corajoso e portanto merecedor de uma atenção carinhosa. Não é qualquer um que está disposto a se despir publicamente e ainda faz disso seu maior objetivo – e quando digo “despir”, me refiro a um ato sincero e difícil de nos permitir fazer.

O Rodrigo Amarante solitário, fazendo a sua música e de mais ninguém, em “Cavalo” apareceu com um foco bem em cima, no centro do palco. Provocou burburinho e muitas críticas sobre a introspecção e a maneira como escolheu se lançar sozinho.

O primeiro disco solo de Amarante é música que dá vontade de deixar entrar. O que julgo mais importante do que se é melancólica ou menos pop – E daqui em diante fica claro que esse é um texto, de alguém qualquer, que ouviu e curtiu a dele.

Sem adornos, porém estranhamente lindo. Foi ouvindo “Nada em vão” e “Tardei” que me rendi totalmente.

Seu álbum solo é intrigante, ao mesmo tempo que hipnotiza (em várias línguas). Não há como deixar de citar também, Irene, faixa que da primeira estrofe até a última não deixa absolutamente nada a desejar – para os amantes de Caetano, ouçam até a última frase.

Existem várias maneiras de gostar, o primeiro disco solo de Amarante, é de gostar quieto, na sua, ouvindo o seu “nananananana nanananana”, no carro, no ônibus, tranquilo.

De fato, para um show o disco pode não ser “atração” suficiente, como alguns tem questionado, mas suficiente é relativo, tão pouco palpável quanto o que Amarante pode tocar. E toca.

Para ouvir Cavalo na íntegra, acesse: https://soundcloud.com/rodrigoamarante

* Mayara tem formação na área de Educação pela UERJ. No curso de Pedagogia aprendeu a ler o mundo por linhas tortas e não fosse por isso, talvez não teria escolhido cursar Jornalismo, sua segunda graduação. Frágil ao que é inspirador, conheceu o teatro, uma dessas histórias de amor eterno. É ariana, exageradamente louca por Cazuza (…)

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