Música para viajar sem sair do lugar

No final de 2013 eu decidi morar na Irlanda. Quando eu estava para partir, uma amiga me mandou um texto, onde a autora – também prestes a partir para longe – dizia estar “nem lá nem cá”. Eu entendia o que ela queria dizer. Perto da hora da partida, tive essa sensação de estar em lugar nenhum, onde o tempo e o espaço não contavam muito porque logo iriam mudar e logo estaria em um lugar novo onde teria que começar de novo a engrenar as coisas. Eu não sabia muito bem o que fazer por lá (que agora é aqui), nem por aqui (que agora é lá), e ficava vagando em dias e pensamentos.

Agora eu estou para voltar, e há um mês venho de novo entorpecida por não saber o que fazer com meu tempo, meus dias, minha vida. Não estou nem lá nem cá. Ou o corpo aqui, mas a mente lá.

Nestes dias de nem lá nem cá, tem sido bom me cercar de fotos, livros, músicas e amigos. É, além de acalanto para a alma, o que me resta, já que não tenho emprego, nem nada que prenda minha atenção e consuma minha energia por cá.

Vagando pela internet, achei o álbum da banda Edward Sharpe and the Magnetic Zeros. É música boa para quem, mesmo sabendo onde está, não se sente exatamente ali.

Para deixar a alma flutuar.

 

* Saiba mais sobre o autor: “Jornalista desde 2009, quando conclui a graduação (apesar de até hoje não ter ido buscar o diploma), escrevo por profissão e por (…)”

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