Cigarros e café: uma tarde acinzentada

Deus sabe que eu fiz o Diabo para me conhecer. A frase anterior não é minha. É de Renato Godá, um artista paulistano. No seu som, a sujeira da metrópole encontra o ritmo da noite, dos cinzeiros transbordantes, da fumaça que dança com fúria no ar, do cais imaginário. E essa frase me acompanha desde que a ouvi pela primeira vez.

Em 2010 encontrei Godá. À época, ele dizia que era um artista, ‘como o outro é taxista’. Despir o palco do superficial, principalmente hoje, é um ato político. Nesta desconstrução, talvez cheguemos a uma verdade, ou talvez a verdade possível.

E do que fala Godá? A crítica especializada o coloca ao lado de Leonard Cohen e Serge Gainsbourg. No entanto, ao ouvi-lo, você pode entrar na mesma sala suja em que se encontram páginas esquecidas de Bukowski, ou Reinaldo Moraes, e os memoráveis porres. E ter ao alcance do ouvido um caderno de confissões, um álbum de erros e acertos, fragmentos de conversas que nunca acabam. Uma visão sonora.

Saiba mais sobre o autor: ” Músico frustrado, mesmo sem tocar nenhum instrumento, me especializei em ser espectador e ouvinte. Por conta disso, estou sempre à espera de uma nova história: vivida, contada, vista ou lida. Leitor de embalagens de comestíveis à Bíblia Sagrada, passando por literatura infantil. Ouço com atenção, por horas, a mesma música. Acho que nasci na Bahia, embora a certidão negue. (…)”

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