Brasil, de amor eterno seja símbolo

Uma dicotomia ríspida paira sobre o meu querido país. O fim de uma era em que tantos de nós acreditamos e que, agora, faz com que uns tenham sede de justiça (e outros não saibam nem mesmo o que pensar). Falar ou escrever sobre o cenário da política brasileira nesse momento é chamar intriga.

Não que eu me importe, mas então, preferi tomar uma outra via. Venho aqui não em nome de partido, de esquerda ou direita, de golpe ou não golpe, muito menos de política, mas em nome do amor que tenho pela minha nação.

Daqui da minha necessidade de estar em um país de primeiro mundo enquanto minha terra se divide em duas, gostaria de convidar quem quer que seja, que se interesse por essas linhas, a se abrir. Coloque suas armas no chão, por favor.

É desde de antes de Cristo que vivemos em um mundo que muitas vezes divide o nosso caminho em dois lados, duas únicas possibilidades de ir ou vir, em que você deve se enquadrar. Homem ou mulher, trabalhador ou vagabundo, inteligente ou burro, honesto ou corrupto, burguês ou plebeu, mocinho ou bandido, o bem e o mal que jamais se misturam. Apesar do andar de toda a história, no alto do século XXI ainda insistimos nessa dicotomia pobre e impassível, do ser humano que se recusa a ser homogêneo.

Na década de sessenta o Brasil se ramificou e um golpe se pôs. Depois de 21 anos sendo governados pelos militares nosso povo muito sofreu para ter de volta a organização de um Estado onde o povo participa direta ou indiretamente e elege seus representantes, a chamada Democracia.

Mas o que acontece com esse povo quando ele perde a fé que tinha nos seus representantes? O que acontece com milhões de trabalhadores que vão às urnas ansiosos por um futuro melhor e mais justo, clamando por governos que finalmente tragam escolas, hospitais, salários decentes e, quem sabe, uma vida digna e acabam dando com a cara no muro?

Ouça, meu amigo, não se acanhe comigo, eu sou apenas uma garota de 24 anos nascida e criada em uma família de classe média, em uma cidade pequena desse nosso país. Eu de política nada sei, não posso se quer opinar. Mas escuta, do lado de cá, de fora do nosso Brasil eu enxergo um cenário que me preocupa. Não o politico, mas o de uma nação. Do lado de cá eu vejo minha família se apoiando em argumentos muitas vezes infundados em discursos por um novo país. Daqui dá pra ver uma nação completamente dividida por puro ódio e absolutamente cega.

Veja bem que não lhe falo de política, já que já lhe adiantei que sou leiga no assunto, mas falo de convívio puro, conversas construtivas, trocas de informação que não existem mais em nome de uma grande frustração.
O que eu vejo daqui são pessoas tomadas por uma injúria gigante tentando mudar qualquer tipo de coisa, julgar qualquer um que seja e que não presta mais para nos representar. O que ouço é a respeito de um povo dividido por opiniões (infundadas ou não), mas do mesmo jeito exausto de tanto desrespeito e descaso com a nossa pátria.

Agora veja, um povo que clama no seu hino, que não se canta há tanto e talvez por isso tenha o esquecido: “Brasil, de amor eterno seja símbolo.” Agora se divide entre o bem e o mal e pede a morte daqueles que não compartilham da mesma opinião.

Digo mais uma vez que nada entendo de jurisprudência ou governabilidade, e seria ingênuo da minha parte querer meter-me nesses assuntos. Mas me diz: por que diabos esse povo não abraça o símbolo do amor, não cria pontes e conversas engrandecedoras e muda esse país de vez? Por que não recorremos ao lado que sempre quisemos ser lembrados: pelo amor?

Se todos nós queremos mesmo a mudança de uma nação, se queremos de coração o fim dessa era mesquinha e corrupta, porque é, meu irmão, que não nos damos as mãos?

Eu lhe digo que de onde eu vim me ensinaram que tudo se cura com amor e respeito ao próximo, e é por isso que hoje escrevo esse apelo, porque acredito que esse talvez seja o remédio dessa pátria esquecida. Não espero com isso liderar nenhum tipo de revolução, mas propor uma abertura, uma possibilidade, uma brecha. Talvez até brotar uma esperança na união dos gritos por um Brasil melhor, independente de golpe ou não.

Se você, por acaso, acredita que esse pode ser um caminho a seguir, peço que compartilhe essa ideia nos maiores grupos que puder. Quem sabe assim, daqui a dois meses, quando voltar ao meu querido Brasil, eu possa encontrar meu povo mais calmo e consciente, menos perdido e mais certo do que quer e, acima de tudo, unido.

Com amor.

Saiba mais sobre a autora: “Fabíola Bueno estuda Jornalismo, é pisciana orgulhosa e naturalmente independente. Mineira aguda no modo de falar e tratar, apaixonada pela cidade maravilhosa e sua (…)”

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