Corpo Libre

Quando nascemos somos amaldiçoadas. O médico diz: É uma menina. E instantaneamente somos obrigadas a fazer o download completo de um pacote de códigos de conduta e comportamento que devemos seguir. Como devemos sorrir, andar, falar, sentar, sentir…Quando podemos nos expressar, comer, dançar, fingir…Somos ensinadas a não tomar iniciativa, a não perguntar demais, a não dizer como nos sentimos a respeito das coisas, a não termos opiniões sobre determinados assuntos…E absolutamente, somos educadas a não nos amarmos.

“Raspe seus pelos!”
“Mantenha seu cabelo longo!”
“Alise os cabelos!”
“Seja mais magra!”
“Tenha mais bunda!”
“Seja um objeto!”
“Performe feminilidade!”
“Transforme-se no fetiche de todo homem!”
“Não ame mulheres!”
“Modifique-se!”

A sociedade quer que sejamos o Frankstein das suas expectativas.

O patriarcado nos diz: “Não se aceite e não seja você mesma.”

Nossas inteligências, habilidades e capacidades são sempre subjulgadas em detrimento dos nossos “dotes” e “atrativos” físicos.

Temos que lutar todos os dias para mantermos nosso amor próprio, nossas personalidades, e nossas vidas. Sobreviver é difícil quando somos mulheres.

Aprendi com mulheres maravilhosas que eu sou maravilhosa.
Aprendi com elas que existe amor sem mudança, amor em essência, amor sem posse e amor próprio. Que o que eu penso e digo, que meu talento pra escrever é mais importante que o tamanho dos meus seios.

Quando a Juliana me chamou pra fazer o ensaio, ela me falou da intenção de mostrar às mulheres o quanto elas são maravilhosas e incríveis justamente por não atender os padrões impostos pela sociedade. Achei incrível. Ela é uma fotógrafa talentosíssima e eu quis posar pra ela.
Minha surpresa ao ver o resultado foi: nunca me achei mais bonita na vida. Não ser moldada por um editor de fotografias e ver nas fotos tudo que o sistema julga imperfeito foi libertador.
E o que eu mais amei foi ela ter captado no meu olhar a força que todas nós mulheres precisamos perceber em nós. E que nós precisamos mostrar umas às outras que existe.

 

Para saber mais sobre o trabalho de Juliana Guariza, vai lá > julianaguariza.com
flickr. com/photos/juliguarizafacebook.com/julianaguarizaphotography

 

Saiba mais sobre a autora: “Cora Made escreve de poesia a contos eróticos, roteirista de filmes independentes e videoclipes. Trabalha mais por amor que por dinheiro, porque, afinal, convenhamos. É filósofa de boteco e adora discutir futebol, política e religião. É feminista praticante, virginiana perfeccionista, adepta do poliamor, viciada em análise, alquimista de (…)”

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