Hoje a Irlanda vota pela igualdade

Hoje, 22 de maio de 2015, a população irlandesa está indo às urnas para decidir, por meio de referendo, se o casamento gay deve ou não ser legalizado. Sou intercambista na Irlanda há 1 ano e três meses. Não posso votar, mas se pudesse, votaria pelo sim.

Quando penso que até 1993 ser gay era ilegal por aqui, fico feliz em ver que em tão pouco tempo o debate evoluiu a esse ponto. A Irlanda tem agora a chance de ser o primeiro país do mundo a legalizar, por meio de referendo, o casamento entre pessoas do mesmo sexo. Fico mais feliz ainda quando converso com os jovens por aqui e vejo que eles estão engajados na luta pela igualdade. Talvez eu esteja cercada de pessoas que têm o pensamento parecido com o meu e não tenha ouvido os argumentos dos jovens que dizem não. Talvez porque, por falta de afinidade, esses jovens não pertençam ao meu círculo de amizade e convivência.

Mas eu prefiro acreditar que a juventude, de modo geral, está engajada em causas progressistas. As pesquisas recentes na Irlanda mostraram que mais de 70% das pessoas se posicionam em favor do casamento igualitário. Mas um amigo irlandês alertou, um pouco decepcionado: “os jovens dizem sim, mas muitos não vão votar porque o voto aqui não é obrigatório”. Para votar, a pessoa precisa se cadastrar no Registro de Eleitores da Irlanda. Nos últimos dias, fiquei feliz mais uma vez. Uma amiga irlandesa me contou que vários amigos dela, que não eram eleitores, estavam indo se registrar para poderem participar do referendo e dizer sim ao casamento igualitário. O sistema de registro é fácil e rápido.

Artes em prédio na George Street, no centro de Dublin

Arte em prédio na George Street, no centro de Dublin

Quando eu comentei com essa amiga que estava escrevendo sobre o referendo, ela disse: “Mencione no seu site que muitas pessoas não sabem ao certo para que estão votando. Tem gente que acredita estar votando para impedir que gays tenham filhos e impedir que os bebês chamem homens de “mamãe”. Mas na verdade, estamos votando por direitos iguais. Eles pensam que é sobre filhos, mas não é. Mesmo que votem “não”, gays ainda podem adotar, mas tem gente que não sabe disso”.

De fato, durante as campanhas houve muita desiformação. Cartazes com fotos de crianças diziam “ela (a criança) merece uma mãe por toda a vida, e não somente por 9 meses”. Como se crianças em famílias felizes fossem ser raptadas e doadas a casais gays.

No meio de toda essa confusão de informações, surgiram também boas campanhas. Deixo aqui uma delas com vocês. Casamento gay não é o fim do mundo. Mas pode ser o começo de um mundo mais justo.

*Infelizmente, o vídeo não tem legendas em português.

Saiba mais sobre a autora: Dizem eles que nasci em 1985, antes da hora. Cresci em sítio, sempre vivendo no interior, e minha vida é assim: em pequenas dimensões. Gosto de conhecer tudo de perto. Jornalista desde 2009, quando conclui a graduação (apesar de até hoje não ter ido buscar o diploma), escrevo por profissão e por não saber fazer outra coisa. Além de bambolê e drama.

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