Hello, stranger

Before Sunrise é um filme de 1995 que narra o encontro de Celine e Jesse, ela francesa e ele norte americano. Os dois se conhecem em uma viagem de trem pela Europa. Celine está voltando para a França e Jesse logo vai retornar aos Estados Unidos. Na viagem, os dois se interessam um pelo outro, decidem descer em Viena e passar uma noite juntos, antes que cada um siga seu destino.

Depois de passear e rir juntos por horas, Celine e Jesse estão caminhando lado a lado e ela então diz: “Eu estou tão feliz porque ninguém sabe que eu estou aqui e não conheço ninguém que me contaria todas as coisas ruins que você já fez. A gente ouve tanta merda sobre as pessoas. Sempre me sinto como um general do exército quando começo a sair com alguém. Traçando minhas estratégias e manobras, conhecendo seus pontos fracos, o que o magoaria, o seduziria…É horrível”.

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É minha cena preferida. Quem nunca quis se sentir assim, diante de uma página em branco novinha, toda a ser preenchida por nós mesmos, sem influências externas e fofoquinhas?

Outro dia li um texto da Nina Lemos que fala sobre a tentação que nos arrebata diante da possibilidade de receber informações à respeito de um novo ficante ou possibilidade de paquera.

Nina conclui que, por mais que possa parecer interessante saber que o rapaz traiu a última namorada ou que broxou com uma amiga nossa, as informações devem ser tratadas como aquilo que realmente são: fofocas e impressões pessoais.

Eu acho que isso de não levar a sério o que as pessoas têm a dizer sobre terceiros (seja pretendentes ou amigos) deveria ser um exercício diário, em favor das melhores (e novas) relações.

Porque as pessoas, além de agirem de modos diferentes em situações diversas, são um pouquinho do reflexo do que oferecemos a elas. Se transmito confiança, as chances de receber isso de volta são maiores.

Além disso, tem um motivo que há muito martela meu juízo e me faz pegar leve com críticas de terceiros: eu também já errei demais. Quem é que nunca foi meio filha da puta com um ex? E com um amigo?  Com certeza nosso deslize de filhadaputice foi um dia levado adiante em uma mesa de bar. Por sorte, há quem não ouviu. E há quem ouviu, ignorou e resolveu se aproximar mesmo assim. Graças.

Eu assumo: já fui filha da puta. E muito. Mas isso não quer dizer que serei sempre. Algumas pessoas e situações me fazem ter uma vontade imensa de acertar.

As redes sociais estão aí para jogar passado, presente e futuro na nossa cara. Os amigos e colegas também. Bacana, válido em algumas situações, por exemplo, quando o rapaz por quem estamos apaixonadas tem uma ficha criminal que inclui homicídio e ocultação de cadáver. Daí, amiga, é melhor ficar esperto e ouvir bons conselhos.

Mas, salvo os casos graves, para as coisas fluírem com naturalidade a gente tem que lembrar que todo mundo às vezes só quer acertar desta vez.

* Dizem eles que nasci em 1985, antes da hora. Cresci em sítio, sempre vivendo no interior, e minha vida é assim: em pequenas dimensões. Gosto de conhecer tudo de perto. Jornalista desde 2009, quando (…)

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