Dama da noite

Chegou ao youtube o curta-metragem Dama da Noite, baseado no conto homônimo, de Caio Fernando Abreu. Para mim, surgiu como uma leitura inesperada. Porém, óbvia – no bom sentido. É um espelho do conto, e reflexo da vida de Caio. Eu disse uma vez que quem primeiro me falou sobre Caio foi outro escritor, o Mario Prata, no livro 100 Crônicas. Lá ele contava como foi a última vez em que viu Caio Fernando, desaparecendo em meio à fumaça iluminada de uma boate GLS em São Paulo. Um anjo torto, magro e elegante.

Em 2006 eu entrei em um grupo de performance teatral. A gente se reunia pra ler, fazer exercícios, debater textos. Num desses encontros, uma moça leu esse conto, com voz profunda e embargada. Era uma atriz alta, magra, de cabelos escuros bem curtos, vestida de preto, e foi assim que esse conto ficou gravado em minha mente. Uma mulher um pouco triste – mas conformada – rindo na cara da vida. Sarcástica. Sentada num bar meio vazio, lá pelas quatro da manhã, segurando um copo de vodka.

No curta, a Dama da Noite me aparece distante da minha imaginação. Mas totalmente possível.

“Essa roda girando girando sem parar. Olha bem: quem roda nela? As mocinhas que querem casar, os mocinhos a fim de grana pra comprar um carro, os executivozinhos a fim de poder e dólares, os casais de saco cheio um do outro, mas segurando umas. Estar fora da roda é não segurar nenhuma, não querer nada. Feito eu: não seguro picas, não quero ninguém. Nem você.”

Saiba mais sobre a autora: “Jornalista desde 2009, quando conclui a graduação (apesar de até hoje não ter ido buscar o diploma), escrevo por profissão e por (…)”

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