Consciência negra para quê(m)?

Imagem do documentário "Morri na Maré", que trata do efeito da violência nas crianças moradoras da favela. (http://vimeo.com/88774662)

Imagem do documentário “Morri na Maré”, que trata do efeito da violência nas crianças moradoras da favela. (http://vimeo.com/88774662)

 

Hoje é dia da consciência negra. E é dia também de ouvir que “deveria existir dia da consciência branca, da consciência amarela”, e que “somos todos iguais”.

É fácil dizer que somos todos iguais quando se está do outro lado, onde as coisas são mais simples, do lado onde preconceito é o que os outros sofrem, não eu.

Mas como é que a gente explica pro menino de 9 anos, sem pai, sem comida, morador da favela, que ele é igualzinho ao menino do comercial de natal da hot wheels? Como é que a gente diz para ele que ele tem as mesmas chances na vida do menino que cresceu comendo nutella? Será que ele precisa mesmo só se esforçar para ter um futuro melhor? Depende só dele? Será que a vida é assim, fácil para todo mundo?

Existe sim branco pobre e preto pobre, mas existe muito mais preto pobre do que branco pobre, está nas pesquisas do IBGE para quem quiser ver. A parcela de negros socialmente excluídos é muito maior que a de brancos. E é por isso que a gente precisa entender que subjetivamente – inteligência, alma, coração – somos todos iguais; mas socialmente, ainda não. Deveríamos ser, sim, mas ainda não somos.

Tem o rapaz negro que saiu da favela, estudou medicina e hoje é doutor. Mas ele é um em milhões, é exceção e não regra. Se fosse fácil, a regra seria ele, não os outros tantos do farol.

A culpa é do passado, mas a conta ainda é nossa. E se queremos uma sociedade mais justa para todos, é importante sair da zona de conforto, parar de fingir que está tudo bem para todo mundo, e entender que ainda temos contas a acertar.

Preto tem sim que ter orgulho de ser preto, celebrar cada conquista, ter o dia da consciência, por que a luta é diária. Branco tem que – pelo menos – respeitar. E se não entende por que é que tem que respeitar, tem então que estudar história.

 

* Saiba mais sobre o autor: “Jornalista desde 2009, quando conclui a graduação (apesar de até hoje não ter ido buscar o diploma), escrevo por profissão e por (…)”

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