A arte das ruas de Dublin

Foi mais ou menos em 2007 que participei da programação da Semana da Luta Antimanicomial, na Unesp de Bauru. Foi lá, antes do show do Tom Zé, do lado de fora do ginásio, que conversei com um dos internos de um dos manicômios do Brasil. Eu não lembro o nome dele, nem de onde era e tudo o que ficou na minha memória foi a fala rápida daquele homem magro e grisalho.

Ele veio até mim com uma lista nas mãos. Era um abaixo assinado que, explicou-me, pedia que as obras de arte fossem retiradas dos museus e colocadas nas ruas, à disposição de todos. A bandeira que aquele senhor levantava era o óbvio invisível (ou ignorado): arte tem que ser para todos.

Para aquele homem – dito louco -, arte não pode ficar entre paredes. Não pode ter cordão de isolamento, não pode exigir pagamento para ser vista. Quem é mesmo o louco agora?

Se por enquanto os Picassos e Portinaris não saem às ruas, os artistas – com e sem nome – fazem sua parte. Pensar em arte livre e para todos é pensar em grafite, pixação, estêncil, e todas as formas de expressão grudadas aos muros e à alma das selvas de pedra.

Uma das coisas que gosto de fazer nas viagens é reparar nos muros de cada lugar. Em Bauru, no interior de São Paulo, há frases de amor e manifesto. Em Paris, os muros mostram rostos famosos e desconhecidos. Em Portugal, feminismo e muitas cores.

O Angelo é editor do site DPB Intercâmbio, e nas horas vagas viaja e fotografa as artes de rua. Neste primeiro post do que planejo transformar em série, selecionei algumas das fotos que ele fez pelas ruas de Dublin. Confira na galeria acima.

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