A infeliz busca da felicidade

A felicidade não é um lugar, não é um item de beleza, não é um post no blog e nem é tão fácil de achar. Ela é tão simples, mas tão simples que tudo isso que você estudou, aprendeu, almejou não consegue explicar. Na verdade, quanto mais você quer a felicidade, talvez mais se afaste dela.

É possível que você tenha que conviver com pessoas diferentes e suas diferentes felicidades. Para mim felicidade pode ser ler um livro numa tarde chuvosa, mas para o cara ali do lado felicidade é trabalhar mais de 8 horas por dia e entregar aquele projeto.
Pois é. A felicidade pode ser um dia de trabalho, um dia ruim, uma tristeza que acontece na vida.

Por que felicidade tem que ser a constante realização de um sonho? Por que felicidade é largar tudo para morar no interior e ser hippie? Por que a felicidade é dançar na internet para pedir a demissão? Ou melhor, por que felicidade não pode ser tudo isso e não ter fórmulas?

“soluções rápidas para chegar a felicidade: desde que faça o que você ama, more na Europa e…”

Nós, a geração que busca todas as soluções no google, agora temos a oportunidade de ler blogs com algumas soluções rápidas para chegar a felicidade: desde que faça o que você ama, more na Europa e gaste menos dinheiro, até você não precisa de um carro para ser feliz. 
Acho que esses blogs estão esquecendo de uma coisa que se chama realidade e nela nem todo mundo pode fazer dança para pedir demissão para o chefe pois precisa do dinheiro para pagar as contas no final do mês.
Sim, pois é, nem todo mundo pode largar tudo para ir morar na praia, ou viajar o mundo buscando  uma resposta  sobre felicidade.

Aliás, eu acho que é muito fácil pesquisar sobre a felicidade na Europa, no agreste do Brasil eu acho que seja um pouco mais difícil, mas a gente não quer conseguir ser feliz no lugar comum, não queremos ter o carro do ano por que agora é mais na moda morar na Europa e estudar, na verdade é mais fácil também, a economia ajuda nisso.

E mais uma vez a geração que quer ser tão alternativa e tão diferente cai no mesmo erro, o erro de julgar o comum errado, infeliz.
Hoje o infeliz trabalha 8 horas por semana na empresa que não é dele e o feliz tá sentado na grama atrás do macbook julgando, porque para o feliz a felicidade é ser fora do padrão. E assim continuamos padronizando tudo, desde felicidade até forma de viver.

E no final desse texto eu não descobri o que é felicidade, eu ainda trabalho 8 horas por dia para pagar minhas contas e acho bem legal ser assim. Mas eu descobri que a coisa mais infeliz é tentar padronizar a felicidade

* Amanda é sonhadora, curiosa e inquieta. Gosta de amoras, bolo de cenoura e tem o noivo que faz o hambúrguer mais bonito da cidade. Ah, e ela é formada em moda e quase em antropologia, por isso vive nas entrelinhas do cotidiano dela.

1 Comentário

  • Responder abril 18, 2016

    Diego Ferreira

    Incrível q eu tinha chegado a essa conclusão ontem: tem muita felicidade que se encaixa nos padrões de infelicidade.
    Adorei o texto.

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