Nem macaca, nem vadia, sou Aranha

O episódio  com o Aranha no jogo Santos x Grêmio só evidencia como nós, negros e negras, estamos cansados de abraços, faixas contra o racismo nos estádios, mensagem em telão e hashtags. Não queremos dó, elogios e abraços da Dilma, queremos que façam valer a lei e que racistas sejam presos, como a mocinha que gritou pro Brasil inteiro que o racismo no Brasil não acabou. Racismo dói e chorei ao ver a entrevista do Aranha pós jogo porque também doeu em mim. Com a punição do Grêmio o futebol brasileiro avança um passo para que manifestações racistas como a que vimos não se repita dentro dos estádios. O futebol explica o mundo e reflete a sociedade, mas também possui um potencial transformador.

Há quem tente desviar o foco da situação para a torcedora que foi exaustivamente chamada de vadia nas redes sociais, buscando, dessa forma, amenizar o ato dela. Mas eu como mulher negra, quando sou chamada de vadia porque sai com a roupa que eu quis, ninguém se importa. Quando transo no primeiro encontro, ninguém se importa. Quando danço até o chão e bebo todas, ninguém se importa. E porque será que quando uma mulher branca é racista e é chamada de vadia todos se importam?

Não somos todos macacos e muito menos vadias, nessa briga, sou Aranha.

* Entre uma polêmica e outra no Facebook, Aline Ramos faz faculdade de Jornalismo. Também é possível encontrá-la no Tinder ou no Lovoo, onde deu um match com a pesquisa científica e atualmente estuda o mercado dos afetos e os aplicativos para encontros amorosos. No último ano do curso descobriu que também gosta de ser professora e dá aulas de História num cursinho pré vestibular, além de ser educadora no Projeto Formiguinha. Saiba mais sobre a autora…

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